Nunca tive medo de altura, muito pelo contrário.
Amo voar. Nunca passou pela minha cabeça que estar
pairando sobre a Terra pudesse ser perigoso. Nunca, até
hoje.
De repente, de forma inexplicável, uma idéia
fixa passou a me atormentar. Sem mais nem porquê,
fui surpreendido por um pensamento nítido, claro,
como se alguém o estivesse dizendo com todas as
palavras: “será seu último ato”.
Simples assim: tive a certeza de que morrerei. Claro
que a primeira providência foi tentar afastar esse
pensamento nefasto, como faria qualquer ser humano normal.
Mas eu não sou normal. O pensamento voltou, com
mais força, acompanhado de uma advertência:
“não adianta tentar ignorar. Isso não
vai mudar o rumo das coisas”.
Bem... A esta altura, você deve estar imaginando
que endoidei de vez, não é? Pode ser que
tenha razão. Eu também tentei me convencer
disso, ou seja, de que “isso é coisa que
alguém colocou na minha cabeça, como chifre”,
mas não consegui me convencer.
E o pior. Não consegui afastar essa “certeza”
nem por um instante.
A certeza de que não estarei aqui pra contar como
foi meu vôo.
O único consolo – se é que pode haver
um – é que o tal pensamento veio acrescido
de um detalhe importante: seja lá o que vai acontecer,
será na volta de Porto Alegre. Pelo menos terei
tempo de curtir a Feira do Livro...
Mas, prometo que, se a tal “morte anunciada”
for apenas uma metáfora – quem sabe? –
volto aqui e conto tudo.
Senão, encontro você num centro espírita
pertinho de sua casa.
dino
- 21.10.2009